terça-feira, 4 de abril de 2017

TÚNEL DO NECROTÉRIO Eu sempre evitei passar por aquele lugar, mas hoje não tinha como fugir. Que lugar? O Túnel que liga o Hospital das Clinicas com o IML do outro lado do hospital. Mas há muito tempo ele foi desativado, por culpa de alguns acontecimentos que ocorreram lá. E aqui estou eu, às 3 da madrugada com esse cadáver e sem nenhuma equipe de apoio, ou seja, o único jeito é ter que usar o túnel. Empurrando a maca pelo corredor deserto vou em direção ao único elevador que dá acesso ao túnel. Depois de ajeitar a maca dentro do elevador, a porta fecha e o arrepio toma conta do meu corpo. É um equipamento antigo e velho, a ferrugem já toma conta de toda extensão do metal, o cheiro de coisa podre é evidente, e resquícios de sangue seco por toda parte mostra que o elevador já fora bastante usado. Diante aos 103m que vou ter que enfrentar minhas pernas treme e todos meus pêlos se eriçam, enquanto os barulhos infernais das correntes velhas do elevador se movimentam. Depois de uma demorada descida as portas do elevador se abrem fazendo eco pelo corredor escuro, e nesse exato momento eu penso em voltar para o hospital e esperar por alguém, porém meu profissionalismo sempre fala mais alto e eu retomo o pouco de coragem que me restou e sigo em frente. A cada passo que eu dou, pelo barulho que faz, é como se tivesse andando de salto em um piso de mármore, vou empurrando a maca devagar quando ouço um som estridente que quase me faz perder o controle das pernas… Ufa, é só o elevador fechando as portas. Com as pernas ainda tremendo continuo empurrando a maca o mais rápido possível, e sempre observando o túnel escuro e sujo, a tinta já descascada, buracos e manchas nas paredes, mas o que mais me incomodava era uma som crescente de alguém respirando como se tivesse cansado, a cada passo que eu dava meu coração batia mais alto e o som da respiração ficava mais alto. Eu já não conseguia me mexer quando uma enfermeira entrou no meu campo de visão, o alivio que eu senti foi tão grande que eu quase gritei de alegria, pelo menos tenho companhia nesse lugar, bom, pelo menos uma companhia viva. Eu fui de encontro com a enfermeira e perguntei: – Nossa você quer me matar é? Ela me olhou assustada e foi logo dizendo: – Não, jamais faria isso, só achei que iria querer uma companhia até o IML. Eu já mais relaxada puxei assunto com ela e fomos andando, esqueci até que estava nesse lugar horroroso. Logo chegamos ao portão do IML e eu disse que iria voltar de ambulância pro hospital, a enfermeira, cujo nome é Luiza, disse que iria voltar pelo túnel mesmo e já virou e foi indo, fiquei um tempo lá parada pensando na coragem dela e logo segui para o necrotério. Entreguei o corpo e assinei os papeis e falei para o legista já bem velho que estava de plantão: – Nossa eu estava vindo pra cá sozinha pelo túnel, se não fosse pela Luiza eu teria voltado para o hospital e desistido de trazer o corpo hoje. O legista com um olhar confuso e amedrontado me perguntou: – Quem é Luiza?! – Uma enfermeira que eu encontrei no começo do túnel e me acompanhou até aqui, ela só não entrou porque disse que iria voltar pelo túnel mesmo. O legista ficou me olhando com cara de quem estava procurando alguma piada, e depois falou: – Ela não entrou porque ela está morta, existiu uma enfermeira chamada Luiza há muitos anos, mas ela foi assassinada pelo chefe dela, que logo após abandonou o corpo no túnel.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Estar sozinho não é estar isolado de tudo e de todos... É ter muita gente a sua volta, mas não ter ninguém.. É conviver com os defeitos dos outros, e ninguém suportar os seus; É ter que dar carinho e atenção mesmo quando não tem mais de onde tirar, mas ninguém se dar ao luxo de doar-te o que sobra do amor que recebe; É ouvir todos desabafarem, mas parecer que todos são surdos ao ponto de não ouvirem o seu desabafo; É fazer tanto para ver o próximo feliz a ponto de desistir da própria felicidade, enquanto a felicidade de outros é satisfazer suas próprias vontades.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Eu queria não me importar tanto assim. Eu queria ser mais insensível. Eu queria ter a metade da frieza que as pessoas acham que eu tenho. Eu sei que pareço ser toda durona, dona dos meus sentimentos e rainha do gelo. Mas, se for pra ser sincera, eu não nego nada disso. Eu sou bem vulnerável. Eu sou bem sensível. Eu sou o tipo de pessoa que se importa com as outras pessoas. Eu choro, eu sinto, eu tenho um turbilhão de sentimentos aflorados dentro de mim. Só que, nem parece, não é? Afinal eu fico com o nariz empinado, exalando confiança e dizendo para tudo e todos o quanto eu sou forte, o quanto eu sou equilibrada. E até tento ser, e as vezes até sou, mas tem hora que simplesmente não dá.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

A vida é assim mesmo, dizem por aí, as coisas são como têm que ser, não como a gente quer. E com você foi bem assim mesmo. Percebo agora que escrevo também pra te dizer que, mesmo sem nunca ter te dito, você foi meu ESCUDO, minha proteção. Você me resgatou de crises "ninguém me ama, ninguém me quer", você me amou, você depositou também suas esperanças em mim, eu sei, o que eu mais poderia pedir de você, se o que mais importava pra mim era o seu amor? E esse, ah, esse eu tive. Talvez até ainda o tenha guardado em algum pedaço teu. Você destruiu monstros e medos em mim que insistiam em não se mostrar, em não dar amor. Como quem acorda de um sono de muitos dias e precisa correr pra alcançar o tempo perdido, eu acordei de um longo tempo sem amar e despejei sobre ti todas as minhas reservas e limites de amor. Eu fui até o fim. Eu dei tudo de mim. E eu daria um pouco mais, se isso não tivesse te assustado. Você me ensinou, me mostrou alguns caminhos até então desconhecidos. Você me abriu portas, abriu meus olhos e tirou toda aquela sujeira do meu coração. Sabe que ainda me lembro de você ao virar aquela esquininha? Faz tempo que passamos por lá, rindo de qualquer besteira, felizes por termos uma à outra. Faz tempo, eu sei. Mas olha a loucura: de vez em quando, eu ainda te vejo do outro lado da rua, esperando por mim, esperando com aquela sua cara de boba, fingindo estar de saco cheio da minha demora pra atravessar ruas. E, então, eu chego do outro lado e não te vejo e começo a te procurar em qualquer olhar, em qualquer jeito de andar, enquanto percorro aquela nossa ruazinha. Mas nunca é você. Às vezes eu fico realmente feliz por nunca ser você, afinal, o que eu faria ao te ver? Te cumprimentaria com os habituais dois beijinhos ou sairia correndo pra te abraçar? Na verdade, é mais provável apostar que eu passaria do outro lado da rua e fugiria de te encontrar e depois pensaria dias e dias sobre o que poderia ter acontecido se eu parasse e ouvisse a tua voz e risse do teu bom humor. É, escrevo também pra dizer que ando pelas ruas querendo e não querendo te encontrar e querendo e não querendo te contar um bocado de coisas que te fariam compreender toda essa maluquice. Coisas que te fariam entender porque eu fugi, porque eu saí sem adeus, sem aviso prévio. Quem sabe um dia eu te envie uma carta, um e-mail, um qualquer coisa e te diga todas essas coisas, sem olho no olho, sem corpo a corpo. Mas se antes disso acontecer, eu te encontrar e parar pra te cumprimentar, então essas coisas serão ditas automaticamente por meus olhos e sorrisos e gestos e até lágrimas. Antes de terminar preciso pedir pra que não se assuste e pra que não seja você a pessoa que passa do outro lado da rua quando me vê. Isso destruiria totalmente o carinho que ainda reside em mim. Não se autodestrua dentro de mim. Seja sempre aquela que me espera do outro lado da rua enquanto eu tomo coragem pra enfrentar meus medos, seja sempre aquela que me acompanha enquanto viro a nossa esquininha. Seja sempre aquela por quem eu devo uma série de agradecimentos, seja sempre a-melhor-coisa-que-me-aconteceu. Seja sempre aquela por quem eu vou esperar encontrar em qualquer dia, só pra, pelo menos, relembrar a cor dos olhos, o jeito que penteia os cabelos e o modo como atravessa a rua. Seja sempre aquela que meus olhos vão procurar em meio a um milhão de pessoas, melhores ou não. Seja sempre aquela que por mais que me faça chorar, me dá uma centena de motivos a mais pra sorrir. Seja sempre aquela que eu nunca vou esquecer e pra quem eu sempre vou ter um algo mais a dizer. Seja sempre aquela sobre quem eu falo pras pessoas com o maior orgulho do mundo. Seja sempre aquela que povoa todos os lugarezinhos escondidos em mim. Seja sempre a que me fez amar de uma forma diferente. Inteira, sem medos, sem restrições. E, por favor, seja sempre aquela que vai lembrar de mim e de tudo o que nós fomos uma pra outra. Quem sabe um dia, aqui, na nossa esquininha, ou em qualquer outro lugar, a gente se encontre e descubra que o fim nem sempre é o FIM. E como chega ao fim mais um texto pra você, eu preciso ti dizer que escrevo também pra lembrar da saudade que eu sinto de te ter do meu lado e de ler suas palavras e de desejar seu sorriso. Saudade de lembrar que eu tinha você. Saudade de lembrar que eu tinha motivos pra escrever e cantar e amar. Saudade de sentir saudade, mas saber que no dia seguinte eu teria você de novo. Saudade principalmente daqueles dias em que fazia sentido sonhar com você. E como a gente, textos chegam ao seu fim. Mas meu desejo é que sejamos como esses textos e recomecemos outro dia, em uma folha de papel em branco. - Sem dizer adeus, sem dizer jamais. ’
GERAÇÃO DO DESINTERESSE! Não quero ficar com uma pessoa que crê no "pisa que gama", não, não gamo, me enojo. Não quero ser alvo do seu "vou demorar pra responder, me fazer de desinteressado (a)". Quero acordar e ter uma mensagem de bom dia, receber diversas fotos da tua rotina, por mais entediante que seja. Quero saber do seu almoço, do filme chato que assistiu, da enorme fila no banco que você se encontra. Quero ser respondido rápido, quero ser sua prioridade. Quero que a pessoa diga que sou o motivo dela dormir sorrindo e acordar mais feliz ainda. Amor não é algo que temos que maneirar, pelo contrário, amor é para se jogar de peito, é em excesso, pra se afogar. Quero uma pessoa completamente apaixonada, não uma que acha que gosta, uma pessoa que não sabe o que sente. Tem que ser 8 ou 80. Não quero fazer parte da geração que não demonstra interesse nos outros, que não fala que gosta, que não assume que sente saudades. Você não é legal por se "pagar" de desinteressado, aliás, só está perdendo tempo. Nossa vida é muito curta para ocuparmos boa parte dela com um orgulho desnecessário. Corra atrás da pessoa que ama, fala que está com saudades e que pensa nela a todo o momento. Não ache que você está sendo idiota, está apenas vivendo e se nada der certo, terá a consciência limpa de que fez tudo o que é possível.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Eu sinto tanto sua falta, agora estou te ligando de novo
Venha, venha hoje à noite, apenas me abraçar forte
Esta chuva no deserto, você é a minha luz guia...

Nós, nós estávamos perdidos nesse caminhar de dor
Eu sinto tanto sua falta e agora eu ligo de novo
Venha, venha hoje à noite, apenas me abraçar forte
Desta chuva no deserto, você é a minha luz guia
Nós, nós estávamos perdidos nesse caminhar da maré
Esquecemo-nos sobre o amor, esquecemo-nos sobre nós mesmos
Agora estou aqui, os sonhos se tornam reais...

Você sempre terá minha alma
Mesmo quando sonhos são mundos secretos
Estou com saudades...

domingo, 23 de janeiro de 2011

Pimenta, desejo controlado


Muitas pessoas olham uma pimenta e falam: ah! não gosto de pimenta, pimenta arde, pimenta faz mal... Mas existem outras que amam pimentas, pois sabem saboreá-las de qualquer forma... Então me considerava uma dessas pessoas que odiavam até então conhecer o verdadeiro feito dessa iguaria culinária... De uns tempos pra cá pessoas definem pimenta como desejo sexual, que dá aquele fogo que ninguém sabe de onde vem, mas ao mesmo tempo é aquela sensação maravilhosa de boca adormecida quando entra em contato com algo gelado... Pimenta combina com tudo! desde comidas bebidas e chocolates que ja existem por aí... Mas cuidado... Exageros podem fazer mal é claro, quem nunca comeu ja não vai ser aquela coisa, o paladar vai ficando aguçado com o tempo. para o melhor consumo da pimenta tente não comer com a semente, pois é elas que tem esse efeito fatal de queimar a língua e a sensação de calor...
Pois é, um brinde a vida, a pimenta e a tudo!